11.12.09
Da série: o que aprendemos II

cozinha e área
O caso da área de serviços: nossa área é daquele tipo que faz continuação com a cozinha.
Acerto: decidimos separá-las por uma parede construída com blocos de vidros. Marido adora e eu também! Deixa passar a luz e esconde a bagunça da área de serviço. Isto vamos repetir.

área e cozinha
Erro: o nosso primeiro apartamento foi entregue com diversos problemas de acabamento que tivemos que resolver na reforma. Um deles foi o teto que foi entregue com chapisco. O chapisco escondia os problemas de nivelamento do teto da cozinha que não combinava com as linhas retas dos armários. Para fazer este nivelamento decidimos rebaixar o teto alguns poucos centimetros com gesso.

os varais
11.10.09
Da série: o que aprendemos
Na nossa primeira reforma, tomamos algumas decisões sobre acabamentos que funcionam e outras que não funcionam. Vou começar pelo banheiro, pois este aprendizado realmente aconteceu.
Erro: pastilha em todo o banheiro – revestimento e piso.

piso do box
Este piso está limpo, sim! Mas o rejunte está encardido, então parece que o chão está sujo! Vejam que a “sujeira” bem debaixo do chuveiro, provavelmente composta de gordura e de nossas sujeirinhas do dia-a-dia. Sem falar que solta, então se colocar no piso a mão-de-obra tem que ser punk, você deve guardar umas pecinhas e um pouco de argamassa para recolar e, claro, deve escolher outra cor – branco, please, não!
Acerto: não colocar gabinete em baixo da pia.

wc social

suíte
11.09.09
mais um sintoma do atraso
Vinhamos eu e marido, estupefatos nesta manhã, com a notícia que a estudante da Uniban tinha sido expulsa. Pois que chego e encontro este texto no meu e-mail enviado pela minha adorável feminista Cláudia Eleutério.
“Googlei” o autor e já vi que foi reproduzido ad infinitum na webesfera e que foi realmente publicado sob seu nome na Folha. Como não consegui um contato do autor resolvi publicar também: ele resume muito bem as sutilezas do hipocrisia que vivemos.
A turba da Uniban
(5/11/2009)
da Folha de São Paulo
no blog: http://contardocalligaris.blogspot.com/
CONTARDO CALLIGARIS
As turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio
NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.
O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.
A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: Pu-ta, pu-ta, pu-ta.
Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um justo protesto contra a inadequação da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.
Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre vendido) de duas maneiras fundamentais: veados e filhos da puta.
Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, veados e filhos da puta são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.
Cuidado: veado, nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos veados, por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser usados por seus ofensores. Veado, nesse insulto, está mais para bichinha, mulherzinha ou, simplesmente, mulher.
Quanto a filho da puta, é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. Puta, nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.
Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.
O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de querer? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.
A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.
Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de Zorba, o Grego, com redação obrigatória no fim?
Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.
encolheu

Há cinco meses, quando descobri a gravidez, me senti exatamente como Alice quando come o cookie do coelho branco, aquele escrito “eat me”, lembram? A casa foi encolhendo, encolhendo, encolhendo… Aiii, não era a casa, mas Alice que crescia sem parar. Diferente dela, não tenho uma garrafinha escrito “drink me” para que nossa família pare de crescer.
Nestes cinco meses tomamos atitudes radicais: colocamos nosso lindo apê à venda, ficamos como loucos olhando jornal e internet procurando um novo canto, nos aventuramos num novo financiamento e estamos em fase de fechamento de negócio. O que mais dói é a vista para a mata que não terei mais.
Agora vamos começar uma nova etapa que é escolher como vai ser nossa casa nova. Afinal, nosso novo espaço requer reformas radicais! Muita coisa deve ficar parecida com o nosso apê atual, pois a maior parte do que nós escolhemos funcionou bem. Desta vez calculamos uma graninha que deve dar para deixar a nova casa com a nossa cara. E isto no menor tempo possível, afinal só faltam 3 meses para o bebê nascer… Mas precisamos de um espelho para ver como é esta nossa cara!
Aguarde cenas dos próximos no vou e volto.
10.28.09
sucupira

Não sei se são brancas ou pretas. Para ser sincera pouco me importa agora que sei que as roxas são sucupiras.
A árvore da foto é uma sucupira-branca (Pterodon emarginatus), conforme informações do blog: http://jjleandro-jjleandro.blogspot.com/2007/09/flora-do-cerrado.html. (foto de Caseara)
Nessa época , destacam-se entre outras árvores, cobertas de flores coloridas em belos matizes entre o lilás e o roxo, que contrastam com o verde das folhas miúdas. 
Percebo que neste ano existem muitas em todas as áreas que preservem um pedacinho de mata: parque da cidade, paralela, pituaçú, cab, cabula, sussuarana… É uma deliciosa distração encontrá-las e observá-las pelo caminho.
A descoberta da sua identidade foi hoje na volta do almoço quando mostrei a uma colega a belezura que enfeita uma das alças do viaduto do Cab: – Olha aí a árvore que te falo! É esta!
Depois das exclamações de admiração, outro colega solta naturalmente: – Ah, a sucupira!
Como assim é sucupira? Como você me apresenta a uma celebridade sem uma preparação?
Há mais de quatro anos pergunto, pesquiso e nunca ninguém me disse seu nome com tanta certeza!
Olá sucupira! Prazer em conhecer!
choquei!
cada um inventa para si a narrativa de vida que necessita para poder tolerar sua própria existência
alex castro
10.22.09
sangue no olho
quantas vezes você não diz que vai fazer e acontecer, que vai até o fim, assumir as últimas consequências, e no final você nem faz nem acontece, simplesmente porque dá um trabalho da porra, porque o caminho é longo, ou porque as últimas consequências são duras demais?
e quando tem alguém do seu lado com sangue no olho, repetindo que não está nem aí, que vai foder com tudo, que quer que não-sei-quem sofra, enquanto você vê claramente, que a pessoa está sim aí, que não conseguir foder com ninguém e que não-sei-quem não vai sofrer nada com qualquer ato praticado por este alguém, o que você diz? o que você faz?
eu digo o que fiz: se a tal pessoa é uma querida, você pega o telefone e tenta acalmá-la, mas não tente dizer que as consequências serão duras, que o caminho será longo e que dará um trabalho da porra: ela não vai ouvir… torça para que algo aconteça que adie seus planos até o sangue voltar para as veias de onde não deveriam ter saído.
10.07.09
árvores roxas
Toda primavera é assim: aparecem umas árvores incomuns no meio do que resta de verde na cidade. Na primeira vez que reparei nelas, estranhei o fato de existirem árvores secas em plena primavera – tempo de folhas e flores abundantes. Olhando com mais cuidado, reparei que não estavam secas, mas carregadas de flores roxas, pouquíssimas folhas. A partir deste dia cada vez que avisto uma delas me encho de alegria. Na semana passada, confesso que foi uma árvore roxa localizada bem na saída do Cab, do outro lado da paralela, que salvou meu dia. Era terça-feira, eu tinha acabado de receber uma resposta que estragou meus planos para 2010 e estava muito triste, quando ela apareceu enorme na minha frente: não tive como não sorrir… Era a primeira da temporada, elas vão pipocar pela cidade! Ao invés de olhar para o carro da frente no engarrafamento, para a luz vermelha na sinaleira, vou olhar ao redor, ampliar o horizonte, buscando mais uma árvore roxa. Vou apurar minha capacidade de observar a vida, a natureza, os ciclos que se repetem. Confesso que admiro esta capacidade: de reparar nos pequenos milagres do cotidiano, na força do planeta. Sinto isto quando supero o cansaço e me alegro ao ver um chão coarado de flores amarelas abaixo de uma acácia, ou todo pindado de rosa embaixo de um jambeiro.
Ah, não sei de que espécie são – podem ser ipês ou quaresmeiras – a segunda possibilidade me assusta, já que costumavam aparecer apenas na quaresma…
Updated do post:
Descobri o que são: sucupiras!!! Veja novo post no vou e volto.
09.29.09
imagine
09.28.09
troca de apê
Você mora num apartamento de 30 anos de escada precisando de reformas.
Alguém que realmente se importa com você propõe uma troca autêntica e justa (sem desembolso) deste, por outro apartamento construído há cinco anos, de maior valor, todo decorado, com armários novos, elevador e porteiro.
Os dois apartamentos estão no mesmo bairro – nem seus vizinhos, nem os serviços são desculpa.
Qual o argumento que você pode usar para negar uma troca como esta?
Pois leiam o que ouvi:
- Este apartamento é muito burguês!