Arquivos | junho, 2011

sobre a beleza de escolher um lado, mas conviver com o outro

14 jun

ou pouco mais sobre a beleza de escolher um lado e conviver com o outro

ui, só agora me dei conta de que não apaguei o post aí de baixo e que recebi comentários riquíssimos. resolvi reler o post e não tem nada nele que me envergonhe. vou responder às provocações mais provocantes por parte:

perder a linha quando se fala de violação de direitos é básico para mim – a questão é que reconhecer os direitos dos homosexuais não afeta ninguém… a discussão descamba e parece até que todos vão TER QUE … (dever). “onde há uma necessidade, nasce um direito” (eva peron) e os homosexuais precisam viver uma vida pela e normal sob abrigo de leis que garantam isso, porque sem lei não tá rolando, isso é direito #fato!

aprendi recentemente que o mundo é redondo, mas tem lado e é claro que tenho os meus lados, tomo posição nas discussões. na verdade, desabafei sobre esta possibilidade de não ser sectária e conseguir conviver com opiniões e atitudes que abomino.

no entanto só escolho meu lado depois de pelo menos assistir argumentos de cada um. sobre este código florestal mesmo não tive condição de acompanhar a discussão e me posicionar. me deu a sensação que foi tudo errado.

o post não foi sobre política partidária, apesar de eu ter usado os rótulos lulistas e tucanos (é incrível queos dois soam pejorativos, repararam?). diferente de mari perri, tenho minhas legendas favoritas e te garanto que nunca apertei algumas delas e confirmei, por melhor que seja a pessoa por trás do número.

mas não sou filiada a partido algum e consigo enxergar a beleza de governos mais à esquerda e de outros mais à direita, nem sei se esta história de esquerda-direita-volver ainda é autêntica, depois de tanto adesismo. tenho uma impressão que uma vez no governo (especialmente no executivo) todos se tornam muito parecidos, mesmo tendo agendas diferentes.

vou dizer: adoro ouvir uma opinião radical, normalmente é quando eu mais aprendo e saio da minha zona de conforto, percebo que tenho muito a aprender e que a bolhinha classe-média onde vivo é bem distante da bolhinha onde a maioria vive. eu queria que minha bolhinha fosse maior, mais brilhante e menos hipócrita e que não fosse uma bolhinha.

o bom de discutir e conversar com radiciais é que uso o que aprendi com o mais progressista, numa dicussão com um reaça – e é massa. sempre que converso com alguém muito “progressista” acabo dando uns passinhos a mais na direção do progressismo, coisa que não acontece quando converso com um conservador. os argumentos que defendem a manutenção do status quo não me seduzem.
ah, gente, eu não sei o nome de quem não é progressista e nem conservador. para mim, conservador é quem acha que o mundo tá bom assim: capitalista, elitista, excludente, desigual, miserável, ou que não admite que este é mundo. e eu quero muito um mundo diferente para mim e para meus filhos e acredito que é possível. e acredito que o mundo vem melhorando, que o ser humano está evoluindo.

hoje ainda “somos” racistas, temos muito o que caminhar em direção à igualdade, mas apenas há cento e poucos anos “achávamos” justo que um homem escravizasse e torturasse outro. hoje “somos” homofóbicos e discutimos a falância da família da mesma forma que fizemos há pouco mais de cinquenta anos quando a lei pró-divórcio estava em discussão: “o que acontecerá com a ‘família’ se o casamento acabar?” então: daqui a cinquenta anos olharemos para trás e esta discussão sobre os direitos dos homosexuais parecerá coisa de gente careta e quadrada.

é isso mesmo: acho que uma pessoa que não aceita que pessoas do mesmo sexo tenham o direito de se amar e formar uma família sob abrigo da lei (do estado laico) é careta e quadrada. esta é a minha opinião! não gostou pode “unfolar”!

***

hoje quando cheguei, alice veio me dizer que estava enfrentando um problema na escola. uma das meninas “abriu” um clube de um cantor americano (ficam vendo fotos e tals) e ela não quis participar, porque “é coisa de menina maior, né, mamãe?” e porque “meu clube é mais legal: de salvar o planeta”, mas só tem mais uma no clube – rá! depois mais duas migraram do outro, agora são 4 – 40% das meninas, 20% da sala! um bom começo, né-não?

sabem o que eu disse a ela: “vai ser sempre assim: a maioria das pessoas não participa dos clubes que querem melhorar o planeta, mas se você quiser salvar o planeta de verdade, você não precisa ir com a maioria!” e a conversa tomou outro rumo…

continuação do – http://viciadosemcolo.blogspot.com/2011/06/sobre-as-vantagens-e-desvantagens-de.html

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