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eu sabia que ela ia gostar

17 abr

- Filha, do que você mais gostou no seu aniversário?
- Da chuva de prata!!!

para Alice – carta dos seus 5 aninhos

16 abr

Alice,
Numa hora destas, há cinco anos, estava na maternidade me preparando para trazer você ao mundo. Era o fechamento de um ciclo: uma gravidez desejada, planejada e vivida com intensidade. Desde que sua existência se resumia aos meus sonhos, aos meus desejos, vivi com muito amor e expectativa esta gravidez. Você estava em mim antes mesmo da sua concepção, senti você crescendo em mim, você e o amor incondicional de mãe que nunca pensei ser possível de verdade.
Você, minha filhinha tinha que ter tudo que não tive, não só as coisas, mas a presença física e mental dos seus pais o tempo todo. Quando eu ia às compras enlouquecia com tantas coisas lindas. Sua bisavó te deu um enxoval completo, luxuoso até. Exageramos, parecíamos dois loucos: não deixávamos ninguém te pegar, a empregada que trabalhou com a gente no seu primeiro ano, nunca te deu um banho, nunca trocou sua fralda. Achávamos que só nós saberíamos fazer suas coisas. Mas percebamos a tempo de não criar um monstro.
Só que você nos mostrou que é do mundo, e aos quatro anos, com a vida social agitada, já começou a ficar sem a gente nas festinhas dos colegas. Tinha amigas muito suas. Gostos muito seus. Muitos compromissos…
Como sonhei, às dez horas nasceu uma menina e uma mãe de menina… Meio feminista, no início só vestia bodies e macacões, tão unissex, que hoje Arthur aproveita os que não doei. Assim que pôde escolher, escolheu vestidos: longos e rodados. Os rosas e os lilases invandiram seu armário.
Tentei também evitar as princesas, os estereótipos de mulherzinha submissa, mas você trouxe elas para casa e nossa vida foi invadida por castelos, príncipes e finais felizes. Só que as suas princesas favoritas não eram aquelas que eu condenava, mas outras corajosas, independentes, autônomas, não-vítimas. Eram princesas que iam atrás dos sonhos (Ariel), que não se limitavam a julgar pelas aparências (Bela – da Fera) e recentemente que viviam a beleza do caminho e se permitia viver diferente do planejado (Tiana, Princesa e o sapo).
Depois trouxe as flores, as fadas, as libélulas, a autenticidade e a alegria. Você diz que vai ser bailarina de circo e viajar pelo mundo, diz que o primeiro país que quer conhecer é Madagascar… Uma vez disse que não queria casar nem ter filhos, porque dá muito trabalho. Te sugeri casar e não ter filhos. E você respondeu que marido dava mais trabalho que filho… Não há quem não se encante com você, com tiradas deste tipo, que são muitas. Não há quem não te ache inteligente quando conversa com você. Ai filha, como você fala! E fala coisas interessantes e engraçadas… E como você ri!
Ultimamente, você é uma companheirona, minha dupla… Digo que você é meu par, meu plural, somos duas, e que Arthur meu ímpar, meu singular… Você fica intrigada… Mas ri e concorda e repete, aí todos ficam intrigados. Agora anda dizendo que não quer crescer. E por que, filhinha? Porque adulto não pode brincar, mamãe! Pode sim, filha, pode e deve brincar… Ai que mal exemplo estou te dando, que mensagem errada estou te passando!
Filha, sei que estou muita adulta nestes últimos meses… Que ando pesada, rígida, tensa, aborrecida com tanta coisa para fazer, tanta coisa para pagar, para decidir, cheia de coisas que não consigo terminar, cheia de tudo. Sei que não consigo mais brincar, que não sento mais com você no chão, que não corro pela casa me escondendo de você e fingindo que não estou vendo onde está escondida. Por isso você não quer crescer…
Mas hoje seu presente de cinco anos é uma promessa, sinto uma mudança, nascerá uma mãe mais leve, mais alegre, mais criança. Alice, você é meu bebê, minha menina, minha mocinha, minha mulherzinha. Você tem infinitas possibilidades e vai poder fazer o que bem quiser. Poderá construir uma adulta com uma super criança interior, que continuará brincando, sonhando e acreditando em fadas.
Feliz Aniversário,
Sua mãe!

14 anos

25 mai

Há 14 anos, eu me questionava se as impressões mágicas que tive “ontem” seriam concretizadas. Quando avistei marido pela primeira vez, um no meio de uma multidão no Mam, antes até de trocar um olhar sequer, soube que eu me casaria e envelheceria com ele. Pois bem, aqui estamos casados e envelhecendo. E aquele amor que senti com o primeiro beijo, o amor que senti ao acordar na minha cama sem ele, há quatorze anos, continua vivo, melhorando a cada dia como um bom vinho. Temos muito a comemorar. Um brinde!

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