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donas de casa – editado

27 mai

Hoje estive com a minha avó materna no seu aniversário de 83 anos. Depois de cantar o parabéns, como sempre, ela fez um discurso. Na sua fala pediu que nós, as netas, a perdoassem pelas críticas em relação a nossa pouca dedicação às prendas do lar, ela vive falando que somos péssimas donas-de-casa. Pediu que procurássemos entender a forma como ela foi criada e a sua dificuldade em aceitar que nós nos dedicássemos mais ao trabalho do que à casa. Não precisava pedir perdão, nós já entendemos isso e não tomamos como ofensa a constatação de que não somos boas donas-de-casa: não somos mesmo, não de acordo com o conceito de boa dona-de-casa da minha querida avó. Somos boas mães, somos boas profissionais, boas amigas, boas amantes, mas decididamente não somos boas donas-de-casa!!!
Ela enfatizou que ela é do outro século e que nós somos desse século XXI, cheio de novas obrigações e novas tecnologias, do computador, da internet, dos engarrafamentos, do trabalho duro e que, então, passou a entender esta nossa limitação. Não temos nada a perdoar. Acolho totalmente minhas limitações, chego a ser até complacente comigo mesma. Não me angustio ou me cobro demais. Aceito o fato de não ser A profissional que sonhava, nem A dona-de-casa, por ter escolhido a família como minha prioridade. Isso mesmo: minha prioridade agora é a família, mas não a casa – para mim são blocos de tarefas separados. Acho melhor assim.
Navego por aí, lendo as angústias de mulheres que não conseguem dar conta de todas as pressões que o mundo exerce sobre elas. De não conseguirem colocar em prática os conselhos da encantadora de sei lá o quê: de perceberem que seu filho é diferente do bebê do livro.
Agora não basta parir, tem que ser normal e em casa; não é suficiente alimentar os filhos, tem que ser amamentação exclusiva até seis meses (sorry, mas minha licença é de 4 meses!) e depois comidinhas feitas na hora pela própria mãe com ingredientes orgânicos. Não basta colocar para dormir, mas tem que colocar a criança no berço acordada dar beijinho, boa noite e dizer “agora é hora de dormir” de acordo com o método sei lá de quem. Não basta educar, tem que encantar/animar/ser a melhor amiga: seguir livros, métodos e manuais, e ser o exemplo all the time: não pode errar, falar palavrão ou se estressar. Se não fizermos isso tudo, se não formos perfeitas, alguma desgraça cairá sobre a família e nunca nossos filhos serão felizes. Será?!?
Sinceramente: tô fora! Pari cesárea duas vezes, na primeira eu quase morro, na segunda ele quase morre! Ainda bem que nas duas vezes eu estava no hospital, com uma super UTI Neonatal e todo aparato tecnológicos que nós, humanos, inventamos. Dei e dou peito quando/enquanto pude/posso, se eu sair ele toma artificial – dou uma mamadeira sem culpa nenhuma. Coloquei/coloco para dormir no braço mesmo, com muito dengo, cantando e andando, ou slingando. Para a primeira filha, eventualmente dei potinho industrializado e sopa congelada, fazia suas papas com verduras do supermercado. E assim será com o segundo. Falo palavrão, dou chiliques e furo o sinal. Me informo e sigo minha intuição!
Quem quiser saber se dá certo, leia aqui e aqui.

Isso tudo fora as cobranças em relação à beleza, à relação conjugal e ao sucesso profissional, intelectual, social e virtual. Preciso de mapa para entrar na cozinha e na área de serviços! É, vó, desculpa, mas a casa fica mesmo em último lugar…

PS: Déa, se ler esta post, please, complemente aí!

uma semana em casa

7 mar

Hoje faz uma semana que nos mudamos. Começamos esta aventura com um plano, com um projeto. No caminho fizemos alguns desvios, pegamos alguns atalhos e depois de três meses de reformas chegamos no destino: estar numa casa nova. Agora começa o novo desafio: transformar este chão, estas paredes e este teto (e que chão, que paredes e que teto!) num lar. Vai ser rápido, pois com duas crianças adoráveis fica fácil!

Ainda faltam muitos detalhes para que o plano se complete. Falta arrumar as coisas que já temos, separar aquilo que não precisamos para abrir espaço para as coisas novas. Falta achar lugar para as coisas que gostamos e que ainda estão em caixas no quarto dos fundos. Aliás separar o que não queremos e nem precisamos foi a minha missão da manhã, consegui tirar muita coisa inútil de casa. Coisa que é super difícil para mim.

Falta definir aquilo que precisamos além do que temos: coisas que se compram com dinheiro e se escolhe com inspiração. Coisas que estão nos planos e nos projetos, que estão desenhadas num papel. Coisas belas que nos encantam e melhoram nosso dia-a-dia.

Nosso outro apartamento também tinha projetos e planos e em quatro anos não conseguimos concretizar tudo. Mesmo assim, definitivamente era um lar. E este, assim será!

encolheu

9 nov

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Há cinco meses, quando descobri a gravidez, me senti exatamente como Alice quando come o cookie do coelho branco, aquele escrito “eat me”, lembram? A casa foi encolhendo, encolhendo, encolhendo… Aiii, não era a casa, mas Alice que crescia sem parar. Diferente dela, não tenho uma garrafinha escrito “drink me” para que nossa família pare de crescer.

sala Nestes cinco meses tomamos atitudes radicais: colocamos nosso lindo apê à venda, ficamos como loucos olhando jornal e internet procurando um novo canto, nos aventuramos num novo financiamento e estamos em fase de fechamento de negócio. O que mais dói é a vista para a mata que não terei mais.

vista Agora vamos começar uma nova etapa que é escolher como vai ser nossa casa nova. Afinal, nosso novo espaço requer reformas radicais! Muita coisa deve ficar parecida com o nosso apê atual, pois a maior parte do que nós escolhemos funcionou bem. Desta vez calculamos uma graninha que deve dar para deixar a nova casa com a nossa cara. E isto no menor tempo possível, afinal só faltam 3 meses para o bebê nascer… Mas precisamos de um espelho para ver como é esta nossa cara!

Aguarde cenas dos próximos no vou e volto.

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