No dia do aniversário da minha avó, ela nos presenteou com um exemplar da revista Veja sobre a mulher. Esta é uma publicação que há muito tempo não leio, por não concordar com a visão preconceituosa em relação a diversos temas e fiquei meio desconfiada também desta edição. Diante da insistência de minha avó, li para poder dizer que li, mas encontrei entre as várias colunas e matérias interessantes, uma coluna escrita por uma jormalista americana com o curioso título “meu bebê é como um vício”. Com as devidas proporções é como estou me sentindo e é exatamente como eu me sentia depois do nascimento de minha primeira filha.
Confesso que relaxei mais no segundo filho – eu reconheço que era meio histérica com minha primeira bebê. Lendo a coluna percebi que é exatamente como estou: viciada. É idêntico ao dela o meu sentimento de não ter outro assunto, a impossibilidade de ler e escrever sobre ideias que eu tinha há alguns meses, a certeza que os livros da minha estante não são meus, assim como os vestidos do meu armários, a incapacidade de combinar roupa, sapato e acessórios, enfim a felicidade de ter o bebê de volta no braços quando eu volto de alguma saída necessária.
É, estou viciada em Arthur! Por isso a minha angústia em voltar a trabalhar, mesmo estando profundamente segura com a decisão de recorrer a um bercário para cuidar dele. Contemporizo esta angústia justificando-a pelo medo do novo: estou num novo endereço e ainda não sei como ficará a logística de levar as crianças, o marido e ir trabalhar, se vai funcionar, se vai dar tempo para tudo. Mas a verdade é que estou viciada. Sei que passa (sei mesmo!), mas sofrerei.
Leia a coluna aqui

me conte