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ser mãe também vicia

30 mai

No dia do aniversário da minha avó, ela nos presenteou com um exemplar da revista Veja sobre a mulher. Esta é uma publicação que há muito tempo não leio, por não concordar com a visão preconceituosa em relação a diversos temas e fiquei meio desconfiada também desta edição. Diante da insistência de minha avó, li para poder dizer que li, mas encontrei entre as várias colunas e matérias interessantes, uma coluna escrita por uma jormalista americana com o curioso título “meu bebê é como um vício”. Com as devidas proporções é como estou me sentindo e é exatamente como eu me sentia depois do nascimento de minha primeira filha.
Confesso que relaxei mais no segundo filho – eu reconheço que era meio histérica com minha primeira bebê. Lendo a coluna percebi que é exatamente como estou: viciada. É idêntico ao dela o meu sentimento de não ter outro assunto, a impossibilidade de ler e escrever sobre ideias que eu tinha há alguns meses, a certeza que os livros da minha estante não são meus, assim como os vestidos do meu armários, a incapacidade de combinar roupa, sapato e acessórios, enfim a felicidade de ter o bebê de volta no braços quando eu volto de alguma saída necessária.
É, estou viciada em Arthur! Por isso a minha angústia em voltar a trabalhar, mesmo estando profundamente segura com a decisão de recorrer a um bercário para cuidar dele. Contemporizo esta angústia justificando-a pelo medo do novo: estou num novo endereço e ainda não sei como ficará a logística de levar as crianças, o marido e ir trabalhar, se vai funcionar, se vai dar tempo para tudo. Mas a verdade é que estou viciada. Sei que passa (sei mesmo!), mas sofrerei.

Leia a coluna aqui

mãe de dois

25 fev

Lembrei do dia que cheguei do hospital com Arthur: a alta aconteceu tarde da noite, e quando cheguei Alice estava ansiosa esperando, afinal estava louca para conhecer o irmão, oito dias depois do nascimento. Tiramos fotos, coloquei os dois para dormir e fui tomar o banho dos justos. Já mais calma, pela porta do quarto, vi os dois dormindo na mesma posição: de barriga para cima e de braços para o alto. Com um nó na garganta e lágrimas nos olhos, cheguei a conclusão: – ai meu deus, tenho dois filhos…

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