Meu bebê,
Hoje você faz quarto meses e vou começar a me despedir da nossa rotina. Ainda temos 14 dias juntos, que sobraram das férias. Vamos ter uma outra vida: eu volto a trabalhar, no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, na mesma função, mas não sei qual será meu novo trabalho; você vai para um bercário escolhido a dedo, um lugar novo, com novas pessoas, mas sua função será a mesma: se desenvolver e ser feliz. Destes, sete dias você ficará em casa se despedindo de mim e de Cris (nossa babá), e os outros sete fazendo adaptação minha e sua no Mini Mundo. Felizmente temos condições de pagar este bercário, graças a ajuda da sua bisavó, que é louca por você.
Ainda não sei como vai ser nossa nova rotina, quem te busca, quem te leva, se conseguirei ir lá todos os dias te dar peito na hora do almoço (quero te manter no peito exclusivo até seis meses – só com uma mamadeira de leite materno ou artificial, às 15h, se sua pediatra concordar). No entanto, estou muito segura de estar fazendo o melhor para você e para nossa família. Sei que você se adaptará bem e que será feliz lá… Ficarei lá com você até ter certeza que te tratarão bem e que você se acostumou com o ambiente.
Você vai ter coleguinhas fofos, quem sabe até sua primeira paixão (rsrsrs). A sala do soninho é linda – cheia de nuvens no teto, com uma iluminação especial – você vai adorar acordar e ficar olhando para o teto como você faz aqui em casa! Você vai tomar banho com água filtrada.
Terá um ambiente de psicomotricidade com brinquedos, livros, espelho e chão macio (vinil com espuma por baixo) para se exercitar e se desenvolver. Logo logo vai estar comendo papinhas cuidadosamente preparada de acordo com uma nutricionista, numa copa só para os bebês.
Talvez nada disso substitua nossas brincadeiras diárias, minha mão amadora te dando banho, o soninho no sling, a admiração que tem pelo quadro e pelo seu móbile, os mimos de sua irmã e os carinhos do seu pai. É assim que tentamos substituir a exclusividade nos cuidados por um início de convivência social.
Nestes quatro meses, pudemos nos conhecer. Pude constatar quanto eu tenho sorte em ter você. Você não sabe quanto sua mãe é sortuda! Não é sorte para ganhar sorteio ou pequenos brindes, mas sorte para o que realmente importa: tudo que cerca minha família. Sorte no trabalho, com ele posso sustentar nossas necessidades, sorte com os filhos que são saudáveis, seguros e felizes, sorte no amor, pois tenho um marido que é um excelente pai, sorte com a família que apesar das suas “trapices*” está ao meu lado em todas as horas, sorte com os amigos: poucos e bons!
É mesmo muita sorte ter você! Você veio para mim de maneira inesperada e me mostrou nestes quatro meses o meu melhor: ao seu lado sou segura, paciente, calma, leveza e contente – é assim que cuido de você. com muito prazer e alegria. Não consigo chegar perto de você e não sorrir! Muita sorte é você ser assim: tranquilo, sorridente, “falante”…
É muita sorte ter um bebê que dorme bem à noite e acorda sorrindo. É muita sorte um bebê que não tem refluxo, cólica ou gases. Sorte poder te amamentar só no peito. Sorte é chegar na pediatra receber parabéns pela sua saúde e desenvolvimento.
- Mas eu não mereço parabéns, é que tenho sorte. – penso sempre – Este serzinho chegou das estrelas para nos fazer felizes!
Cheiros no pezinho,
Sua mãe
* neologismo em referência à família trapo.
Imagem copiada do site: http://www.bbc.co.uk/radio4/science/cosmology/galleries/?select=04

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